05/04/2004
Tenho estado
nos últimos dias bastante ocupado com as minhas provas na Faculdade, que aliás
ainda não terminei. Ainda terei mais 3, ou seja, até a quarta-feira santa.
Mas toda essa atividade que sou obrigado a enfrentar
não altera o fato de que tenho permanecido com o meu coração apertado e muito
triste, como na verdade tem sido minha vida desde todo o ano de 2003, só que em
2004 parece que as impressões que sinto tornaram-se mais fortes. Tornei-me uma
pessoa muito triste, de uma forma que as pessoas agora percebem isso com
facilidade, como se já fizesse parte agora de minha personalidade. Às vezes eu
me sinto muito mal, um pouco da parte física, mas mais mesmo da parte emocional.
A impressão que me dá é a de que estou entrando em depressão. Não sei bem o que
é depressão, falando tecnicamente, mas acho que deve ser isso que sinto de vez
em quando. Confesso que tenho medo que essa sensação tome conta de mim um dia,
para ficar. Eu não saberia explicar exatamente o que é isso, mas posso dizer
que é uma coisa que me toma conta do íntimo e me deixa trêmulo e com os
sentidos muito aguçados. Acho melhor chamar isso de aflição ou de desespero. Eu
não saberia mesmo o que seria de mim se eu não tivesse a educação filosófica e
religiosa que recebi desde o berço, que me dá a certeza da realidade da vida, e
não a limitação temporal de uma única existência. Isso me dá muita força,
principalmente porque eu conheço as fontes onde posso me suprir de energia e bênçãos. Esta situação fez com que eu me
tornasse quase um filósofo intelectual. Tenho sido ultimamente um grande
observador da vida e das pessoas. Estou tendo agora a oportunidade de refletir
sobre a vida dos dias atuais, o comportamento geral das pessoas e enquadrá-las
na visão da realidade eterna que nos é trazida, a mesma verdade, por diferentes
fontes, como a Filosofia, as religiões orientais, o Cristianismo e o
Espiritismo. Neste ano, estou tendo aulas novamente com o Dr. Freitas. Lembra-se
que você assistiu uma aula dele no 1º ano? Agora ele leciona Filosofia
Jurídica, e ele está ainda melhor, assim como eu, pois estamos quatro anos mais
velhos, e consequentemente, quatro anos mais experientes. Aprendi nestes
últimos tempos, a pensar, observar e a raciocinar, no que tange a procurar
entender a vida e as pessoas. Com isso, tenho chegado a muitas conclusões aqui
comigo mesmo, acerca das pessoas, do tipo de vida que levam, e principalmente,
da grandeza, da perfeição, e da incontestável existência de Deus. Eu penso que
chegar a isso é um grande avanço para um homem: acreditar em Deus, não porque
um dia alguém nos ensinou e nos cobrou isso, mas sim pelo seu próprio
entendimento raciocinado. Tenho procurado, embora não tenha conseguido muito, registrar
minhas conclusões e pensamentos, e pretendo ainda um dia lançar o meu livro.
Afinal, só falta isso para fechar a minha existência, pelo menos sob o ponto de
vista de um autor que disse que todo homem, para dizer que viveu, deve plantar
uma árvore, fazer um filho e escrever um
livro. Os dois primeiros atos eu já pratiquei; o ultimo, eu espero que ele não
tenha que ser psicografado.
Além de querer
que saiba o que eu sinto e como tenho sido nos últimos tempos, a minha intenção
ao lhe dizer tudo isso é também expressar que estou muito preocupado com o seu
bem estar e sua situação como pessoa e espírito que é, e o que essa preocupação
está gerando em mim. Eu ainda continuo na minha posição de pai que sou. Sei que
esta é uma situação transitória e que quando eu retornar ao outro lado terei
cumprido esta obrigação a que, sem nenhuma dúvida, eu me dispus um dia cumprir,
e a partir de então, não serei mais o pai, mas apenas o mesmo irmão que eu já
era antes de iniciarmos a atual etapa. Quando isso acontecer, então o amor
fraternal entre nós, aquele amor verdadeiro pregado por Jesus, já estará
definitivamente consolidado, se é que ele ainda não está, ou que já não exista
desde antes... Mas ainda aqui, eu continuo o mesmo, firme nesta posição, só que
tudo vai se modificando ao longo do tempo. Você agora é um homem feito,
legalmente responsável por todas as suas ações, e que deve, você mesmo, dar
destino à sua vida. Eu não posso e nem devo pretender decidir o rumo de sua
vida. Essa é uma fase de nossas vidas que já passou. Agora, cumpre-me estar a
postos para ajudá-lo ainda, enquanto eu puder, mas somente se você assim o
decidir. Eu não posso faze-lo por você mesmo. Assim, tenho
procurado formas de orienta-lo e alerta-lo acerca do seu comportamento e
tentando que você visualize a importância da preocupação com seu futuro,
calcada que será nas suas atitudes presentes. Tenho me oferecido como amigo e
confidente, no sentido de dar as mãos mesmo, para que você me enxergue com
outros olhos, diferentes daqueles que sempre me enxergou. Quero lhe oferecer
minha amizade e solidariedade, sem que você esqueça que além do amigo
solidário, eu sou o pai, meio que anjo protetor encarnado, que nunca o traiu ou
trairá, mas sempre pesando tudo no sentido muito amplo da vida, e não olhando
somente o momento presente. Não tenho, porem, obtido sucesso nas minhas
tentativas. Infelizmente não percebo nenhuma reação sua, no sentido de encerrar
esse período confuso e improdutivo de sua vida, para em seguida abrir a fase da
vida real, próspera, operosa, de crescimento espiritual e material.
C O N T I N U A à em outra oportunidade,
tenho que parar agora.
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