sábado, 21 de janeiro de 2023

05/04/2004

 05/04/2004

Tenho estado nos últimos dias bastante ocupado com as minhas provas na Faculdade, que aliás ainda não terminei. Ainda terei mais 3, ou seja, até a quarta-feira santa.

Mas toda essa atividade que sou obrigado a enfrentar não altera o fato de que tenho permanecido com o meu coração apertado e muito triste, como na verdade tem sido minha vida desde todo o ano de 2003, só que em 2004 parece que as impressões que sinto tornaram-se mais fortes. Tornei-me uma pessoa muito triste, de uma forma que as pessoas agora percebem isso com facilidade, como se já fizesse parte agora de minha personalidade. Às vezes eu me sinto muito mal, um pouco da parte física, mas mais mesmo da parte emocional. A impressão que me dá é a de que estou entrando em depressão. Não sei bem o que é depressão, falando tecnicamente, mas acho que deve ser isso que sinto de vez em quando. Confesso que tenho medo que essa sensação tome conta de mim um dia, para ficar. Eu não saberia explicar exatamente o que é isso, mas posso dizer que é uma coisa que me toma conta do íntimo e me deixa trêmulo e com os sentidos muito aguçados. Acho melhor chamar isso de aflição ou de desespero. Eu não saberia mesmo o que seria de mim se eu não tivesse a educação filosófica e religiosa que recebi desde o berço, que me dá a certeza da realidade da vida, e não a limitação temporal de uma única existência. Isso me dá muita força, principalmente porque eu conheço as fontes onde posso me suprir de energia e bênçãos. Esta situação fez com que eu me tornasse quase um filósofo intelectual. Tenho sido ultimamente um grande observador da vida e das pessoas. Estou tendo agora a oportunidade de refletir sobre a vida dos dias atuais, o comportamento geral das pessoas e enquadrá-las na visão da realidade eterna que nos é trazida, a mesma verdade, por diferentes fontes, como a Filosofia, as religiões orientais, o Cristianismo e o Espiritismo. Neste ano, estou tendo aulas novamente com o Dr. Freitas. Lembra-se que você assistiu uma aula dele no 1º ano? Agora ele leciona Filosofia Jurídica, e ele está ainda melhor, assim como eu, pois estamos quatro anos mais velhos, e consequentemente, quatro anos mais experientes. Aprendi nestes últimos tempos, a pensar, observar e a raciocinar, no que tange a procurar entender a vida e as pessoas. Com isso, tenho chegado a muitas conclusões aqui comigo mesmo, acerca das pessoas, do tipo de vida que levam, e principalmente, da grandeza, da perfeição, e da incontestável existência de Deus. Eu penso que chegar a isso é um grande avanço para um homem: acreditar em Deus, não porque um dia alguém nos ensinou e nos cobrou isso, mas sim pelo seu próprio entendimento raciocinado. Tenho procurado, embora não tenha conseguido muito, registrar minhas conclusões e pensamentos, e pretendo ainda um dia lançar o meu livro. Afinal, só falta isso para fechar a minha existência, pelo menos sob o ponto de vista de um autor que disse que todo homem, para dizer que viveu, deve plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. Os dois primeiros atos eu já pratiquei; o ultimo, eu espero que ele não tenha que ser psicografado.

Além de querer que saiba o que eu sinto e como tenho sido nos últimos tempos, a minha intenção ao lhe dizer tudo isso é também expressar que estou muito preocupado com o seu bem estar e sua situação como pessoa e espírito que é, e o que essa preocupação está gerando em mim. Eu ainda continuo na minha posição de pai que sou. Sei que esta é uma situação transitória e que quando eu retornar ao outro lado terei cumprido esta obrigação a que, sem nenhuma dúvida, eu me dispus um dia cumprir, e a partir de então, não serei mais o pai, mas apenas o mesmo irmão que eu já era antes de iniciarmos a atual etapa. Quando isso acontecer, então o amor fraternal entre nós, aquele amor verdadeiro pregado por Jesus, já estará definitivamente consolidado, se é que ele ainda não está, ou que já não exista desde antes... Mas ainda aqui, eu continuo o mesmo, firme nesta posição, só que tudo vai se modificando ao longo do tempo. Você agora é um homem feito, legalmente responsável por todas as suas ações, e que deve, você mesmo, dar destino à sua vida. Eu não posso e nem devo pretender decidir o rumo de sua vida. Essa é uma fase de nossas vidas que já passou. Agora, cumpre-me estar a postos para ajudá-lo ainda, enquanto eu puder, mas somente se você assim o decidir. Eu não posso faze-lo por você mesmo. Assim, tenho procurado formas de orienta-lo e alerta-lo acerca do seu comportamento e tentando que você visualize a importância da preocupação com seu futuro, calcada que será nas suas atitudes presentes. Tenho me oferecido como amigo e confidente, no sentido de dar as mãos mesmo, para que você me enxergue com outros olhos, diferentes daqueles que sempre me enxergou. Quero lhe oferecer minha amizade e solidariedade, sem que você esqueça que além do amigo solidário, eu sou o pai, meio que anjo protetor encarnado, que nunca o traiu ou trairá, mas sempre pesando tudo no sentido muito amplo da vida, e não olhando somente o momento presente. Não tenho, porem, obtido sucesso nas minhas tentativas. Infelizmente não percebo nenhuma reação sua, no sentido de encerrar esse período confuso e improdutivo de sua vida, para em seguida abrir a fase da vida real, próspera, operosa, de crescimento espiritual e material.

 

 

 C O N T I N U A   à em outra oportunidade, tenho que parar agora.

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