O "meu adicto" mantém-se tranquilo na maior parte do tempo, só
algumas vezes que responde meio torto.
Mas na sexta-feira houve novo problema. Ele havia prometido
a mim que não mais retornaria ao ‘amigo’ Rafael, que mora no bairro vizinho.
A mãe dele, que mora em outra cidade, chegou na quinta-feira. Na sexta-feira ele veio
para a nossa casa à tarde da casa da tia, trazendo a namorada, a (meia)irmãzinha, e um primo. Eu falei para ele levar a irmã para conhecer o Parque Público que fica aqui ao lado. Antes eu havia perguntado a ele
se a mãe tinha dado algum dinheiro a ele, e me respondeu que ela dera R$ 10. Eles saíram, mas depois, estando demorando um pouco, e me vindo
uma suspeita de que ele poderia estar aproveitando o tempo de saída para ir à
casa do tal amigo, eu liguei para a mãe dele e perguntei se ela havia dado
dinheiro. Ela disse que não e que estava desolada porque ele havia surrupiado R$ 50 da sua bolsa. Sabendo disso eu saí imediatamente atrás dele,
já imaginando o porque dele ter ido ‘lá’.
Saí a pé e só consegui avistá-los quando já estava a
meio-caminho de volta. Daí eu o assediei com esse assunto, mas ele negou
terminantemente. Pedi a ele que devolvesse o que poderia restar dos R$ 50, mas
ele disse que não tinha mais jeito. Tinha deixado com o Rafael como pagamento
de parte de dívida. Fiquei muito bravo com ele, mas apesar disso ele não se
alterou. Disse que não tinha ido pegar nada, apenas pagar mais uma parte da
divida, que segundo ele, faltava mais R$ 30 e encerrava tudo. Viemos para casa,
as crianças muito assustadas porque fiquei muito enérgico com ele. Chamei a mãe
dele, que resolveu dar mais R$30 para que liquidasse a divida e nunca mais
voltasse lá. Foi o que ele fez, e prometeu nunca mais voltar. Não sei até que
ponto posso acreditar nessa história, mas ele levou os R$ 30 e encerramos o
assunto. Achei importante que soubesse disso. Amanhã (segunda-feira) ele vai
procurar emprego.
(NOTA: a conversa a seguir eu acho que foi com a psicóloga, a respeito de dinheiro suspeito que ela percebeu que estava com ele, durante a sessão de psicologia)
Estive no *cliente 1* e conversei com a pessoa que
é responsável pelo caixa, e ela me garantiu não ter havido qualquer problema no
caixa do dia em que lá estive com ele. Fiquei agora meio sem saber o que realmente
andou acontecendo. Nós estivemos também no *cliente 2*, mas já está
fazendo mais tempo, e eu acredito que se o acontecido foi lá, ele não teria
controle suficiente para aguardar e gastar o dinheiro somente agora.
Estou pensando em falar com a
senhora que é dona do *cliente 2*, mas com ela eu não tenho a mesma
liberdade para tocar num assunto tão delicado. Ademais, ela me pareceu meio
nervosa comigo ao telefone, quando liguei para ela na quinta-feira passada. Ela
foi até meio grosseira comigo, ao tratar dos nossos negócios. Será que tem
alguma coisa a ver com o acontecido? Conversando com a minha irmã, ela
se prontificou de servir como uma representante da psicóloga, para
evitar que eu trate diretamente com ela esse assunto, que poderia provocar meu
desgaste profissionalmente falando. Ela cuidaria de abordar o assunto no nível
de um tratamento psicológico, e não no nível profissional, como seria se fosse eu
mesmo. Preciso de sua opinião. Mas não posso demorar muito para averiguar isso,
portanto se você quiser falar diretamente com ela, pode ligar na casa dela amanhã, no período da manhã.
Ele não percebeu nada que estive lá hoje, pois após chegarmos daí, ele foi direto para a cama e dormiu
até as 17:30h. Eu aproveitei o assunto da guarda dos presentes na casa da
namorada para alertá-lo novamente sobre as mentiras e sobre o assunto do
livre-arbítrio, e da necessidade de eu me desvincular de mantê-lo sob as minhas
asas, sob pena de que eu me torne um tipo de obsessor encarnado dele. Que ele
deve confiar em mim e eliminar as mentiras. Acho que isso deve ser trabalhado
com ênfase no tratamento psicológico. Com as mentiras, vai ser impossível
continuar a nossa vida na mesma casa. Quero saber também se você pode trabalhar
no sentido de convencê-lo a contar para
mim todas as coisas erradas que ele tem feito e me contado mentira ou omitido.
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