11 de agosto de 2004 – 14:53h
Com o coração de pai muito angustiado pelos acontecimentos e momentos que tenho vivido nos últimos dias, venho novamente bater à porta do seu coração, mais uma vez para pedir. Hoje ouvi com atenção suas queixas e acusações, e quero assim lhe pedir o seu perdão para tudo de errado que eu tenha feito e que possa ter causado dano a você. Por favor entenda que este, que exerce a função de pai neste planeta Terra, não é um “Deus”; sou humano, e como tal, imperfeito e falível. Procurei muito fazer o melhor que pude, mas talvez você tenha razão, eu não iria mesmo conseguir. Contudo, não quero que as minhas falhas sejam motivo para fechar as portas para o nosso entendimento. Não lhe guardo nenhum rancor pelos momentos de tristeza e constrangimento que tenho vivido e aceito essas lições com paciência e resignação, com a compreensão de que tudo está contribuindo, e muito, para o meu despertar para as coisas da vida real, que é a vida espiritual. O mundo espiritual é que é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O nosso mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espiritual. Apenas quero lembrá-lo de que nós devemos pautar nossa conduta de modo a não nos excedermos no relacionamento interpessoal, pois quando assim fazemos e ultrapassamos os limites do bom trato e do respeito, passamos a ser nós os devedores, comprometendo-nos como transgressores da Lei maior.
Gostaria de
lembrá-lo também, que não é a minha intenção aqui, de me justificar quanto a
este ou aquele episódio que possa ter sido ou não um erro de minha parte, pois
acredito que devemos sim, trabalhar para que sejamos acertadores no que vier
daqui para frente.
A vida tem sido
para mim uma oportunidade de conhecimento cada vez maior, de encontro com
valores jamais percebidos e de exercício de experiências jamais pensadas. As
tribulações e acontecimentos que tenho vivido, me fizeram procurar novas
pessoas e novas atividades, o que tem me fascinado e feito compreender que nós,
humanos, somos mesmo muito pequeninos, e que quanto mais aprendemos e
conhecemos, mais chegamos a conclusão de que nada sabemos. “Só sei que nada sei”,
afirmava o pai da filosofia, Sócrates. Lembro-me, também, da frase que você
gosta: “Conhecimento é poder”. Mas poder mesmo só o é aquele que
constrói.
Enquanto eu penso assim, sinto um certo pesar de
ter perdido muito do tempo vivido, “ocupado” com a ociosidade ou com
inutilidades. Lembrei-me então de ontem, quando você disse que não querer
comprometer o seu “tempo livre”. Mas a verdade é que lamento muito e sinto-me
impotente, pois sei que nada posso fazer com as minhas próprias mãos, ao
testemunhar a forma como você vem conduzindo a construção da sua vida no
dia-a-dia. Que Deus ilumine o seu Espírito, e que você desperte para o real
sentido da vida, ocupando o seu tempo com pensamentos produtivos, companhias de
bom astral, e divertimentos e passatempos sadios. Só você pode fazê-lo e só
você pode decidir assim. Gostaria de vê-lo de bem com a vida, irradiando
otimismo, simpatia e espalhando o bem por onde passasse. Declare a sua
independência dos vícios, dos divertimentos de baixa vibração, e de
companhias que sejam fúteis e comprometedoras. Procure ajudar o próximo, sim,
fazendo mesmo a caridade legítima, e perceberá como a vida vai lhe responder à
altura. Liberte-se! Só depende de você! Ser nobre, leal e virtuoso não quer
dizer deixar de ser homem. É só uma questão de dosagem e de princípios.
No mais, ainda
continuo aqui a seu lado enquanto me permitirem, embora minha presença
não esteja sendo percebida por você, mas ela é uma realidade incontestável, o
sustentáculo que mantém ainda a sua estabilidade, emocional, espiritual e até
material. Por enquanto ainda sou seu pai, e aqui ainda estando, estou à sua
disposição, para ouvi-lo, dar minha opinião, aconselhá-lo e buscar o melhor
caminho e entendimento para você.
Que Deus lhe
proteja e o acompanhe sempre!
NOTA: Estou publicando estes escritos após quase 20 anos. E acho que agora, eles mereceriam uma boa revisão. Mas preferi manter o texto original.
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